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Psicóloga Nutty RamosCRP 08/12673

As fases do luto: um processo que segue o ritmo de cada um

Senhora de cabelos brancos caminhando de costas por uma trilha, em preto e branco

Depois de perder alguém, muita gente vai buscar respostas na internet com perguntas que procuram saber em que fase eu estou, quanto tempo isso vai durar, será que estou vivendo o luto de modo correto. E o que encontra, quase sempre, é uma lista de fases do luto, com nome e número, como se houvesse um caminho a cumprir.

Cada pessoa vive o luto de modo diferente. Ele não segue etapas rígidas, pois é um processo, um fenômeno a ser vivido, um caminho a ser percorrido.

De onde vem a ideia das fases do luto?

Em 1969, a psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, no livro Sobre a Morte e o Morrer, revolucionou a medicina e a psicologia ao introduzir o famoso modelo dos cinco estágios do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. É desse modelo que vem a ideia das 5 fases do luto que tanta gente conhece.

É comum encontrar “modelos” de enfrentamento como esse. No entanto, o entendimento do luto e o tratamento evoluíram através de outros grandes teóricos, conforme suas abordagens. No Brasil, na tanatologia, o estudo da morte e do luto, Maria Júlia Kovács, Wilma da Costa Torres e Karina Okajima Fukumitsu ampliaram a visão sobre esses “modelos” e as fases do luto.

Na Gestalt-terapia, pela abordagem fenomenológico-existencial, outros modos de compreender o luto e a morte foram incorporados, ajudando o cliente a compreender o que se passa.

Como a Gestalt-terapia olha o luto?

O luto não se trata de uma doença em busca de cura, mas de uma experiência que precisa ser incorporada e ressignificada na vida da pessoa.

Na clínica, sob o olhar da Gestalt-terapia, o luto é compreendido como uma resposta natural e saudável do organismo diante da perda de uma pessoa ou de algo importante para a pessoa. Algo foi interrompido. Agora existe um vazio pela perda, e ter que lidar com esse algo que se mantém presente no dia a dia causa sofrimento e dor.

Mudar pode causar dor e desconforto. O processo de luto denuncia essa dor, ao enfrentar e reorganizar a própria existência para reaprender a viver no mundo sem a presença da pessoa que partiu antes de nós.

A Gestalt-terapia percebe o todo: o mundo real da pessoa, como ela experimenta e vivencia esse fenômeno que é a morte e o luto. Por isso, o ponto de partida é aquilo de que a pessoa se dá conta. O cliente traz aquilo que ele consegue dizer, e nem sempre são palavras. Em algumas situações, são silêncio, angústia e lágrimas que falam por ele.

Por que o luto pode ficar mais difícil com o tempo?

No início, o impacto emocional é grande, mas o próprio corpo tem uma sabedoria interna para ajudar a pessoa a lidar com esse estresse, além do apoio das pessoas próximas.

Conforme os dias passam, a rotina retorna e o enfrentamento vai ficando cada vez mais solitário. As pessoas conhecidas, na maioria, esquecem; outras se afastam. E tudo pode ficar mais difícil quando se percebe que algo está diferente, algo mudou no dia a dia e isso é definitivo. A cadeira vazia. Um número de telefone que não será atendido se você ligar. Nas datas importantes, vocês não irão se ver. Esses são acontecimentos vividos de forma solitária e intensa por quem fica nos primeiros anos de uma partida.

Quanto tempo dura o luto?

O luto é um processo individual e depende da pessoa, das características de personalidade, do vínculo com quem partiu e de muitas outras variáveis, como a idade e a fase de vida da pessoa que ficou. Ele segue o próprio ritmo de quem o vive, dentro de sua personalidade, crenças, valores e características pessoais.

Frequentemente, o primeiro ano é considerado o mais difícil. Nesse momento, a pessoa se depara sem a companhia habitual para as festas, as viagens, o dia a dia, e essa nova fase pode ser vivida com medo, desespero e insegurança frente ao futuro. E, ao mesmo tempo, o enlutado precisa encontrar caminhos, dentro de si, para reaprender a seguir a vida sem a presença do outro.

Existe um jeito certo de viver o luto?

Não é necessário você passar por uma fase depois da outra para estar vivendo o seu luto. Não existe uma forma única de viver o luto. Existem modos diferentes de receber e viver o luto. Um dos momentos mais significativos e transformadores é reconhecer a morte, e o luto como consequência de existir.

Para algumas pessoas, essa também pode ser uma ocasião de refletir sobre a própria finitude, como uma possibilidade a qualquer momento, e por isso a necessidade de levar uma vida com mais sentido e propósito enquanto ainda há tempo.

Quando é necessário procurar ajuda?

Alguns sinais mostram que é importante contar com um profissional: quando a pessoa abandona e se descuida da própria vida, da rotina, da saúde e dos vínculos, e não aceita ou não consegue buscar ajuda. Comportamentos como o isolamento, a culpa, a dificuldade de expressar afetos e a falta de sentido na vida apontam na mesma direção.

Diante desses sinais, a psicoterapia e o acompanhamento no luto são um caminho possível e indicado como espaço de acolhimento e cuidado emocional.

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